Rate this post

A tecnologia já faz parte do nosso cotidiano, porém, ao lado de todo esse progresso, que tanto facilita o dia a dia, também caminham as práticas antiéticas no uso dos recursos tecnológicos.

O progresso tecnológico, por si só, não conduz naturalmente a um mundo melhor. As armas nucleares, por exemplo, representaram um enorme avanço tecnológico, mas desde a sua criação lançaram uma sombra de incertezas sobre a humanidade. A questão, portanto, é: o desenvolvimento tecnológico levará a um mundo melhor? A resposta é afirmativa, caso a ética seja uma coadjuvante nesse processo.

Hoje a produção de dados é massiva, e eles são cobiçados por profissionais das mais diversas áreas. Nesse campo, a privacidade do usuário ainda deve ser prioridade para as empresas que se beneficiam deles. Informações de aplicativos, plataformas e redes sociais podem ser comercializadas e vendidas sem o consentimento do usuário. É preciso, portanto, dar uma abordagem ética a essa permissão, estabelecendo claramente se seus dados poderão ser utilizados e de que forma.

CÓDIGO DE ÉTICA

Para que os profissionais de computação pudessem agir com responsabilidade, a Association for Computing Machinery (ACM), primeira sociedade científica e educacional dedicada à computação, fundada em 1947, com sede em Nova York, lançou um Código de Ética e Conduta Profissional, recentemente atualizado. Ele foi concebido para estimular e orientar a conduta ética de todos os profissionais da computação, incluindo instrutores, estudantes, influenciadores e qualquer pessoa que use a Tecnologia da Informação de maneira ostensiva. Seus princípios éticos gerais são: contribuir para a sociedade e o bem-estar humano, reconhecendo que todas as pessoas são partes interessadas na computação; evitar danos; ser honesto e confiável; ser justo e tomar medidas para não discriminar; respeitar o trabalho necessário para produzir novas ideias, invenções, trabalhos criativos e artefatos de computação; respeitar a privacidade; honrar a confidencialidade. Entre as responsabilidades de um profissional de TI, destaca-se: manter altos padrões de competência profissional, conduta e prática ética.

O FUTURO DA TECNOLOGIA

Como podemos tornar possível, ou mesmo recompensadora, a luta contra a tecnologia antiética? Equipamentos específicos poderão ajudar, como a orientação para coleta e uso de dados e ferramentas de ética de design de algoritmos. Porém, não são apenas os indivíduos que precisam de ética. As empresas também devem pensar em como elas operam a governança ética na prática. Para isso, também precisamos de responsabilidade externa, seja por meio de regulamentos (normas, rótulos, leis) ou por outros meios.

A base da existência da Inteligência Artificial é o uso de dados, mas é necessário que essa tecnologia se estabeleça sobre a transparência, concentrando-se diretamente na ética e na responsabilidade. A quebra de confiança de uma empresa, pelo uso antiético de dados de usuários, pode ser fatal para a sua sobrevivência. Muitas organizações já se preocupam com isso. Elon Musk, por exemplo, um dos maiores empreendedores da atualidade, criou a OpenAI, organização sem fins lucrativos que visa desenvolver a AI e criar leis de regulamentação para a utilização dos dados e para a própria AI.

O progresso tecnológico pode caminhar lado a lado com a ética? A resposta é sim, mas essa responsabilidade está nas mãos de todos os que utilizam a tecnologia, fazendo-o de forma consciente e responsável, utilizando-a para o desenvolvimento e progresso da humanidade.